O presidente do Conselho de Administração da Companhia Excelsior de Seguros, Luciano Caldas Bivar, é um líder de múltiplas dimensões.

O presidente do Conselho de Administração da Companhia Excelsior de Seguros, Luciano Caldas Bivar, é um líder de múltiplas dimensões. Empresário reconhecido no setor de seguros, concilia as obrigações empresariais com a presidência do Sport Clube do Recife – função que exerce novamente e para a qual foi eleito pela sexta vez – e com a política, atividade em que ocupa a presidência nacional do Partido Social Liberal (PSL).



Sagitariano de uma família de nove irmãos, Luciano Bivar recebeu uma formação cristã estudando nos colégios Marista e Nóbrega. Aos dezoito anos tornou-se diretor de Tênis do Sport, departamento em que atuava como atleta. Com o clube rubro-negro, desenvolveu uma relação de intimidade desde criança ao assistir o pai, o fiscal de consumo da Receita Federal, Milton de Lyra Bivar, tornar-se presidente em 1952.
Durante a adolescência, Bivar comprou e vendeu carros, ganhando dessa forma seu primeiro dinheiro. Em paralelo à faculdade, trabalhou com publicidade na agência Warlupo. Formado em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) em 1969, emendou com uma pós-graduação em Direito Comparado pela mesma instituição, ao mesmo tempo em que trabalhava no Geran, órgão federal que se dedicava ao desenvolvimento da agroindústria. Começou a advogar para a seguradora carioca Delphos no Recife e com a saída do gerente, foi convidado para ocupar a posição. A Delphos, empresa onde posteriormente ocuparia cargos de diretor e vice-presidente, mostrou-se fundamental na trajetória empresarial que estava por vir.
Durante um longo período, a Delphos foi a única empresa a realizar a gerência de riscos da carteira do Banco Nacional de Habitação. Como gerente, Bivar era bonificado contratualmente com um percentual sobre a venda de cada seguro habitacional (que era compulsório) realizada por sua unidade aos mutuários do BNH. Com o boom dos financiamentos habitacionais, a remuneração de Bivar cresceu a valores imensos, o que levou a diretoria da seguradora a propor um acordo compensatório para que ele renunciasse às condições a que tinha direito.
"A dignidade é o maior patrimônio de um homem. Sem ela, um milionário é um eterno miserável".
Bivar aceitou e, dessa forma tornou-se sócio, com direito a 2% das ações. Mais que isso. Com a postura, capitalizou a confiança e intensificou a convivência profissional com os fundadores da Delphos, Jayme da Silva Menezes e José Américo Péon de Sá, executivos oriundos da Ajax, a maior corretora de seguros da América do Sul na década de 60. O período Delphos ocupou as décadas de 70 e 80, e ensinou Bivar a ter um olhar pragmático sobre os negócios sem desprezar sua intuição. “Minha intuição tem grande valor nas decisões que tomo, mesmo quando envolvem milhões”, ele afirma.
Na dimensão esportiva, a carreira de Bivar progredia. Em 1984, o presidente do Sport, Arsênio Meira, convidou-o a deixar a diretoria de Tênis e assumir a diretoria de Futebol. Três anos depois, a chapa vitoriosa com Homero Lacerda como presidente e Luciano Bivar como vice-presidente, ficaria marcada pelo título de Campeão Brasileiro de 1987. No biênio seguinte (89-90), Bivar experimentaria pela primeira vez a cadeira de presidente do clube. Ao longo de sua trajetória na presidência do Sport, foi seis vezes campeão pernambucano, campeão da Copa do Nordeste e da série B, e vice-campeão da Copa do Brasil e do Brasileiro da série A.
Na vida profissional, os ventos mudaram com a chegada à Delphos dos filhos dos fundadores. O contexto sugeria a Bivar que procurasse um novo caminho. Aos 45 anos, estava tranquilo para recomeçar e desfrutava de uma condição financeira bastante confortável. Aceitou o convite de Dirceu de Castro, da seguradora da Caixa Econômica Federal, para realizar a gerência de riscos dos seguros habitacionais do banco. Fundou, para isso, a Gerencial Brasitec, que nasceu com 18 sucursais espalhadas pelo País para atingir objetivos similares aos que Bivar perseguiu na Delphos. A empresa aglutinou a gerência de riscos de 90% dos agentes financeiros do Brasil, incluindo as Cohabs e uma parcela expressiva dos bancos que cultivavam carteiras habitacionais como o Bradesco.
Com a diminuição da carteira imobiliária da CEF a partir da venda de 80% das Cohabs, Bivar decidiu verticalizar a atuação da Gerencial. Em abril de 1996, ouviu sua intuição sagitariana e, desaconselhado por especialistas do setor que sugeriam que começasse uma empresa do zero, comprou por 5 milhões de dólares a tradicional e longeva Companhia Excelsior de Seguros, que estava em regime de direção fiscal pela Susep (órgão responsável pelo controle e fiscalização dos mercados de seguros, previdência privada aberta, capitalização e resseguro vinculado ao Ministério da Fazenda). O esforço para tirar a empresa da intervenção consumiu outros 5 milhões de dólares em gestão, tecnologia e capital de giro.
"Você não é um, mas dois: o racional e o intuitivo. Um age com frieza e calculismo. O outro se manifesta com sentimentos".
Sob a responsabilidade de Bivar, a Excelsior transferiu sua sede do Rio de Janeiro para o Recife e tornou-se a segunda maior seguradora do País no nicho habitacional, construindo uma carteira com um 1,5 milhão de habitações. Há quatro anos, a Excelsior optou por diversificar a atuação, decisão tomada em função da inadimplência acumulada com as Cohabs, que chegou a R$ 800 milhões. A companhia fechou 2012 com um faturamento de R$ 138 milhões e este ano o ramo de seguros habitacionais vai responder por 40% do faturamento.
A política apareceu na vida de Luciano Bivar em 1992 quando, convidado pelo deputado Álvaro Vale, assumiu a presidência estadual do Partido Liberal (PL). Dois anos depois disputaria sua primeira eleição para o Senado Federal, convidado pelo candidato a governador, Cid Sampaio. Em 1997, junto com o senador Romeu Tuma, fundaria o PSL, partido pelo qual se elegeu deputado federal para o mandato de 1999-2003. Três anos depois, Bivar disputou a Presidência da República chamando a atenção em seu discurso para a bandeira do imposto único.
"Eduardo Campos é o fato novo. Sua forma de administrar os interesses públicos lembra um pouco o falecido senador (ex-governador) Antonio Carlos Magalhães, da Bahia".
Em 2005, o empreendedor Bivar decidiu criar a operadora de saúde Excelsior, que cresceu rapidamente montando uma carteira de 140 mil vidas. Há dois anos, sem escala para conseguir a rentabilidade que precisava e sentindo-se engessado pelas mudanças promovidas pelo governo nas regras do setor, vendeu a empresa para a Amil por R$ 100 milhões, valor que incluiu os sinistros retidos na companhia.
No ano passado, a Gerencial Brasitec ganhou a licitação para a restauração das áreas não operacionais do Porto do Recife. O foco do projeto premiará atividades de entretenimento, hotelaria e um centro de convenções e está sob a responsabilidade de seu filho, Sérgio Bivar, a segunda geração que, junto com Luciano Filho, atua na holding.
"O Sport não é uma republiqueta. Tem uma elite pensante descomprometida com interesses pessoais e preocupada com o horizonte do clube".
Escritor com livros publicados, leitor de “Como obter uma personalidade perfeita”, de J. Couberive, amante da Filosofia, homem de gosto refinado, apaixonado por iates, dirigente esportivo acostumado à pressão e ao poder, político com ou sem mandato, e empresário que respeita a força da intuição. Este é Luciano Bivar, um personagem de múltiplas dimensões.

Categories:

Deixe um comentário