O empresário João Santos deixou a comunidade empresarial de Pernambuco no dia 15 de abril deste ano


empresário João Santos deixou a comunidade empresarial de Pernambuco no dia 15 de abril deste ano. O industrial viveu 101 anos e construiu um conglomerado que o transformou numa referência para os empreendedores do Brasil, especialmente para nós pernambucanos.
O grupo empresarial batizado com o seu nome acumula 24 empreendimentos em setores como cimento, açúcar, papel, transportes e comunicação, respondendo pelo emprego de mais de 10 mil colaboradores em todo o país. Um império construído por um sertanejo nascido no Pajeú, em Ilha Bela (hoje município de Serra Talhada), que aprendeu desde recém-nascido a contornar os dissabores da vida e fez da obstinação o motor do seu desenvolvimento.
Nascido em 1907, o caçula de cinco irmãos, João Pereira dos Santos ficaria sem o pai, o fazendeiro José Bernardino, antes de completar 1 ano. Logo depois, em 1909, em função de conflitos políticos, a família teve os bens destruídos, o que levou a mãe, Rita, a carregar os filhos para a região de Paulo Afonso, na Bahia. Por lá, o destino faria o pequeno João cruzar o caminho do famoso industrial cearense Delmiro Gouveia, considerado um dos precursores da industrialização do Nordeste. Delmiro o levou com apenas 8 anos para a cidade de Pedra em Alagoas, onde começou a trabalhar na seção de etiquetas da sua fábrica de linhas de coser.
Na linha de montagem, o minioperário sofreu um acidente, ficando sem um dos dedos. O industrial cearense o transferiu então para o escritório na função de menino de recados. Nessa época, ele começou a frequentar a escola na vila operária e aprendeu a tocar saxofone. Em 1922, Santos veio morar em Jaboatão dos Guararapes, onde passou a estudar e tocar na banda da escola paroquial. Lá concluiu o ginasial e veio, dois anos depois, para o Recife trabalhar na Companhia Ferroviária Great Western, ingressando, alguns anos após, no Armarinho Cahuá & Irmãos, onde chegaria a atuar como guarda-livros (contador).
Em janeiro de 1930 tornou-se bacharel em economia pela então Faculdade de Comércio de Pernambuco. Com o diploma na mão, o jovem passou a atuar na empresa Adriano Ferreira & Cia. Começou como chefe de escritório, tornou-se diretor de vendas e um ano mais tarde, em 1931, sócio minoritário da empresa.
Em 1934, em sociedade com seu sócio português Adriano Ferreira, deu o primeiro grande passo como empresário: a compra da Usina Sant’Anna d’Aguiar, em Goiana, de cujas ações detinha 35%. Um ano depois eles venderam a usina, mas em 1937 resolveram comprar outra, a Santa Teresa. Eles a administraram até 1939, quando Adriano deixou o Brasil e vendeu suas ações para João Santos.
Sozinho à frente da usina, o empreendedor partiu para a construção do seu grupo e em 1951 criou a Fábrica de Cimento Nassau, fundando para esse fim a Itapessoca Agroindustrial S.A., na época a maior unidade do ramo instalada no Nordeste, com capacidade de produção de 300 toneladas/dia. Com o mercado da região escasso, o industrial direcionou boa parte da produção para o Rio de Janeiro e São Paulo.
Em 1960, o empresário assumiu o controle acionário da Barbará S.A., fábrica de cimento portland localizada em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, mudando o nome para Itabira Agroindustrial S.A., consolidando sua presença no setor e partindo para conquistar o mercado do Sudeste. Hoje são dez fábricas cimenteiras, que serviram de base para a diversificação dos negócios do grupo.
João Santos deixou à frente da Holding, que administra o grupo, Fernando Santos, um dos seus sete filhos.

Categories:

Deixe um comentário