Dóris David de Souza é uma empresária do setor de decoração que merece ser ouvida. Dona de 46 anos está há 21 deles comandando a Casapronta.


Dóris David de Souza é uma empresária do setor de decoração que merece ser ouvida. Dona de 46 anos está há 21 deles comandando a Casapronta, considerada por alguns nomes respeitados do segmento como a melhor loja de móveis do Recife.
O assunto que motivou a entrevista foi uma iniciativa interessante que está provocando bons resultados: o Núcleo de Decoração de Pernambuco, criado há 1 ano por um grupo de empresários e presidido por Dóris. Conversamos num dos muitos ambientes expostos na loja e o resultado do papo você confere a seguir:
PE Negócios: O que é o Núcleo de Decoração?
Dóris David de Souza: Não é uma iniciativa nova. Existem vários no país. O mais antigo é o de São Paulo, já passou dos 10 anos. Há muito queríamos estruturar aqui. É basicamente uma associação formada por um grupo em torno de 30 lojistas que tem como objetivo criar um padrão de referência para o consumidor na medida em que as lojas convidadas foram eleitas, nos diversos segmentos, por 20 arquitetos, considerados os mais influentes, do mercado local.
PE: Quais os critérios de escolha?
Dóris: A preocupação dos arquitetos é que o núcleo contemplasse lojistas com perfil sócio-econômico diferente, que tivessem um padrão de qualidade reconhecido. Não podia também ter todo mundo, são 2 ou 3 em cada categoria estipulada, afinal o objetivo é fornecer referências.
PE: Então o Núcleo é excludente?
Dóris: Não. É seletivo. A Artefacto, por exemplo, é um forte concorrente da Casapronta e foi convidada a entrar. A Living que também disputa o mesmo público começará a fazer parte em janeiro.
PE: Como se controla o nível de qualidade das lojas que integram a iniciativa?
Dóris: Elas não desejam acumular um desgaste com os arquitetos. Quando cai o padrão por algum motivo, rapidamente chega ao nosso conhecimento. Já houve situações em que isso aconteceu motivando uma reunião da diretoria do Núcleo que resultou na advertência do lojista. Se houver reincidência a diretoria vota e a tendência é de exclusão, afinal não se pode comprometer o objetivo que é servir de referência para o mercado.
PE: Qual a lógica operacional de funcionamento?
Dóris: O núcleo é mantido com uma contribuição mensal das empresas integrantes mais os patrocínios das ações que realizamos, pagos em dinheiro e permutas. A administradora executiva é a arquiteta Adriana Cavendish. Mantemos reuniões semanais de diretoria.
PE: Que tipo de ação o Núcleo tem desenvolvido?
Dóris: Promovemos eventos de profissionali-zação. Trouxemos um dos maiores especialistas em “mercado de luxo” do país, CarlosFerreirinha, que fez uma apresentação aberta e outra exclusiva para lojistas, arquitetos convidados e equipes das lojas. Criamos um cadastro dos arquitetos e desenvolvemos um site que destaca os profissionais e empresas ligadas ao núcleo. Utilizamos ainda um software de gestão alimentado com informações pelos lojistas associados.
PE: Qual a motivação comercial do lojista para pertencer a esse grupo?
Dóris: Sem dúvida. O núcleo é um estimulador de vendas. Por reunir um grupo de lojistas expressivos do mercado de decoração, o arquiteto sente a necessidade de se aproximar para ter acesso às oportunidades promovidas pelo núcleo.
PE: Como está a maturidade do consumidor final do seu mercado?
Dóris: Muito melhor. Comprando menos por impulso. As mostras de decoração cumpriram o papel de aproximar e conscientizar o cliente final da relevância do trabalho do arquiteto. Quando eu comecei, só se contratava um arquiteto para grandes imóveis, hoje, até para fazer um lavabo se consulta um.
PE: Como estamos em relação ao Brasil?
Dóris: Recife se destaca. Consegue figurar no topo do ranking de muitos fornecedores grandes. Nós (a Casapronta), por exemplo, somos 2º colocados no ranking de vendas da Tidelli (grande fabricante de móveis).
PE: Qual o seu conselho para quem está começando?
Dóris: É preciso foco para realizar projetos de vida. 

Categories:

Deixe um comentário