Geórgia Simeão Gonçalves tem uma trajetória profissional que merece ser evidenciada
Geórgia Simeão Gonçalves tem uma trajetória profissional que merece ser evidenciada. Aos 41 anos, acumula experiências significativas no mercado de shoppings em Pernambuco. Um universo desejado por muitos, capaz de projetar a carreira de seus executivos, pagar bons salários e oferecer uma perspectiva concreta de estabilidade profissional.
Formada em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas pela UNICAP, a executiva tem duas especializações na área de Marketing, pela UPE e UFPE, além de uma terceira, em Varejo, pelo SENAC. Começou sua carreira como trainee da loja de departamentos Mesbla e foi promotora de eventos (terceirizada) da indústria de tintas Coral, até ingressar no mercado onde atua hoje.
Isso foi em abril de 1996, como assistente de marketing do shopping Guararapes. Um ano depois, tornou-se coordenadora da mesma área do shopping Tacaruna. Após dez meses, assumiu a gerência. Em dezembro de 2001, foi alçada ao posto de superintendente do shopping Plaza Casa Forte, posto que ocupa até hoje.
Casada com José Carlos Poroca, (“meu porto seguro”, segundo nossa entrevistada) executivo conhecido na cena empresarial da região, Geórgia tem o objetivo pessoal de investir na sua espiritualidade. No futuro, pretende usar uma parte do seu tempo se envolvendo em causas sociais. “Quero fazer isso por mim”.
Sua sala de trabalho é simples e decorada com uma enorme coletânea de fotos dos sobrinhos e dos netos postiços, (ela adora crianças, embora ainda não tenha filhos) sinal de que seu instinto maternal tem se manifestado de forma regular. Foi nesse ambiente que ela me recebeu de forma atenciosa.
PE NEGÓCIOS - O mercado de shoppings (para executivos) é muito bem visto.Que requisitos não podem faltar em quem pensa em ingressar nele? É um mercado em expansão?
GEÓRGIA GONÇALVES - O mercado de shoppings é bem visto para executivos, bem como para a sociedade, de forma geral. Isso ocorre porque os executivos que atuam nesse mercado são observados de todos os ângulos, principalmente pelo fato do segmento ser uma espécie de teatro permanentemente aberto ao público. Um dado relevante para esta visualização é a própria vitalidade e movimento que o segmento atravessa, com novos shoppings surgindo, outros ampliando ou passando por grandes ajustes.
PE - Como você avalia o mercado de shoppings em Pernambuco?
GG - O mercado de shoppings pode ser avaliado como um mercado mais amadurecido. Assistimos à sua expansão aqui no Estado há cerca de 10 anos, quando dobrou o número de lojas, com a mesma população sem dobrar o poder aquisitivo. Após esta ampliação da oferta, passamos a viver uma fase de ajustes e adequações necessárias a uma acirrada concorrência, que transforma, rapidamente, da noite para o dia, o novo em velho e o hoje no ontem.
PE - O que você quer dizer com isso?
GG - O acesso a grandes marcas antigamente era menor, o que valorizava por mais tempo o mix de lojas dos centros de compras em função da exclusividade daquela operação. Tornou-se difícil para um shopping fazer um investimento significativo na atração de marcas, uma vez que hoje é pouco provável que se consiga mantê-la como uma atração diferenciada. Resumindo, os critérios para montar o mix, em minha opinião, devem ser outros.
PE - Quais?
GG - Aqui no Plaza, por exemplo, procuramos investir na personalidade do shopping, adequando o centro de compras aos valores do público primário, formado por áreas nobres, com um morador que cultiva um grande espírito de bairro, uma grande família.
PE - De que forma vocês fazem esse investimento?
GG - Quando a Tmall assumiu a administração do Plaza, em dezembro de 2001, tivemos que fazer uma reforma total no equipamento, mudando o perfil da operação do padrão outlet (mais popular) para o padrão shopping. Isso foi gradativo. Tivemos que respeitar a validade de contratos das operações que não se adequavam ao caminho escolhido e investir na profissionalização dos lojistas que tinham potencial. Fizemos isso de olho no público da região, que é diferenciado.
PE - Em que sentido?
GG - Nossa área de influência concentra nove dos dez bairros de maior poder aquisitivo do Recife. Nosso cliente possui alto nível de escolaridade, é usuário da Internet, freqüenta o Plaza mais de uma vez por semana e o elege não apenas como sua opção de compras, mas, principalmente, como "uma extensão da sua casa". Ele valoriza muito suas tradições e motivos para isto não faltam: esta é a região de maior concentração de parques, praças, museus e tradicionais estabelecimentos de ensino da cidade. É uma região repleta de histórias e fortes valores artístico-culturais.
PE - Como isso se reflete na estratégia de atuação do Shopping?
GG - Procurando participar da vida dessa região, fortalecendo e apoiando os valores ali presentes. Já realizamos diversas parcerias ligadas a entidades próximas, como a campanha de arrecadação de fundos para reconstrução da cobertura da Igreja de Apipucos, em prol da revitalização da biblioteca da Academia Pernambucana de Letras, valorização das praças, etc.
PE - A expansão do Plaza está anunciada há algum tempo. Quando sairá e que tipo de pleitos ela atende?
GG - No segundo semestre faremos a inauguração. O edifício garagem está pronto e em pleno funcionamento. A passarela que o liga ao mall também. Serão mais dois andares de lojas, além dos cinemas. Teremos uma ancoragem forte das Lojas Americanas e temos a expectativa de ver nosso fluxo alavancado em 30% com a abertura das salas de projeção.
PE - Como estamos comparados a shoppings do eixo Rio e São Paulo?
GG - Os daqui não ficam a dever nada. Pelo contrário, temos empreendimentos iguais ou melhores que os de muitas cidades do Sudeste.
PE - O executivo do shopping faz a ponte entre o empreendedor e o lojista. Como está essa relação hoje? Será sempre uma relação antagônica?
GG - A ponte entre lojistas e empreendedores é uma das principais atribuições do superintendente. O relacionamento está mais amadurecido e vejo que do lado dos lojistas o nível de profissionalismo aumentou. Independente disso existe a necessidade da busca do equilíbrio por ambos os lados. Temos que entender que, embora existam partes definidas, os objetivos são comuns.
PE - Você é a primeira mulher a ocupar o posto de superintendente num shopping da grande Recife? O olhar feminino é um diferencial a ser explorado ou um preconceito a ser vencido?
GG - O olhar feminino é, sem dúvida, um diferencial. Venho ocupando cargos de liderança há mais de 10 anos e atuo como superintendente desde 2001. Esse tempo não me deixa oportunidades de falar em preconceito ou dar margem para o seu surgimento. Acho que cabe ao executivo, independente do sexo, ocupar o seu espaço, comprometido unicamente com a questão profissional. Se isso for cuidadosamente perseguido - e isto exige esforço, dedicação e investimento -, creio que restarão poucas brechas para a criação de preconceitos.
PE - Que tipo de renúncias você teve que fazer para atingir bons resultados?
GG - Foram muitas, sobretudo as horas do descanso e as que seriam dedicadas ao lazer. São "perdas" que vão continuar ocorrendo, até porque é uma característica do mundo corporativo moderno. Muitas vezes foi preciso abrir mão de um final de semana para participar de um curso ou de um seminário, para ler um livro do setor ou para preparar um trabalho para ser apresentado na segunda. A melhor forma de lidar com essas renúncias foi colocar na balança os ganhos que cada uma delas me ofertava como contra partida. Quer saber? Valeu a pena.
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